UniFECAF, OAB e Prefeitura de Taboão da Serra realizam 1º Congresso TEA
Evento debate diagnóstico do autismo, direitos, inclusão social e empregabilidade no Brasil
Por: Viviane S. Lhacer
A UniFECAF, em parceria com a OAB e a Prefeitura de Taboão da Serra, realizou o 1º Congresso TEA, reunindo especialistas, ativistas, estudantes e familiares para discutir os principais desafios relacionados ao Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Brasil.
Com foco em diagnóstico, políticas públicas e inclusão, o evento ampliou o debate para a empregabilidade e a participação ativa de pessoas com deficiência na sociedade, promovendo não apenas reflexões, mas experiências práticas de inclusão.
Inclusão na prática e impacto social
Ao longo da programação, o congresso se consolidou como um espaço de interação e troca. Expositores marcaram presença com livros voltados à conscientização, brinquedos sensoriais e objetos reguladores, enquanto o público também teve acesso a produtos ligados à causa, como ecobags, buttons e acessórios, fortalecendo o engajamento.
A Prefeitura de Taboão da Serra participou ativamente com a emissão da Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (CIPTEA) e orientações sobre o Benefício de Prestação Continuada (BPC), reforçando o compromisso com a garantia de direitos, como destacou a coordenadora Rebeca Gadi.
A presença dos alunos da área da saúde da UniFECAF foi um dos diferenciais do evento. Estudantes de Enfermagem atuaram de forma contínua nos atendimentos e suporte ao público, enquanto alunos de Psicologia ofereceram escuta e orientação.
Já os estudantes de Educação Física conduziram atividades e jogos inclusivos, promovendo interação e participação. Na prática, essas ações transformaram o congresso em um ambiente vivo de inclusão, onde o cuidado, o acolhimento e a troca aconteceram de forma direta e humanizada.
Nesse contexto, o CEO da UniFECAF, Marcel Gama, destacou o papel da educação como agente de transformação social. Segundo ele, iniciativas como o congresso reforçam o compromisso da instituição em disseminar conhecimento, promover conscientização e ampliar oportunidades, fortalecendo a conexão entre ensino, comunidade e mercado de trabalho.
Empregabilidade, diagnóstico e os desafios que persistem
A programação também trouxe à tona a inserção de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Em palestra conduzida pelo time de carreiras da instituição, foram apresentados dados que evidenciam um cenário desafiador: mesmo com a obrigatoriedade legal, mais de 50% das vagas destinadas a pessoas com deficiência no Brasil não são preenchidas, enquanto apenas cerca de 1% a 2% dos vínculos formais são ocupados por esse público.
Entre os principais fatores estão a falta de acessibilidade nos processos seletivos, o despreparo das empresas e barreiras relacionadas ao preconceito. “O mercado ainda deixa de absorver talentos não por falta de capacidade, mas por falhas estruturais nos processos e na cultura organizacional”, destacou Jacqueline Pereira.
Outro destaque foi a palestra de Bruna Ituassu, que apresentou um panorama atualizado do autismo no Brasil. Segundo dados apresentados, o país possui cerca de 2,4 milhões de pessoas no espectro, número que pode ser ainda maior devido às dificuldades no diagnóstico.
A especialista chamou atenção para o diagnóstico tardio, especialmente em meninas e mulheres, cujos sinais costumam ser mais sutis e frequentemente mascarados por estratégias de “camuflagem”, o que pode atrasar a identificação por anos.
O evento também abordou avanços nas políticas públicas, como a Lei Berenice Piana, que garante direitos fundamentais às pessoas com TEA, além da inclusão do autismo no Censo Demográfico. Ainda assim, desafios persistem, como o tempo de espera por atendimento especializado, que pode chegar a até 90 dias, impactando diretamente o desenvolvimento das pessoas no espectro.
A discussão sobre direitos foi aprofundada pela ativista Carla Bertin, que reforçou a necessidade de garantir acesso real à inclusão. Entre os momentos mais marcantes, esteve o lançamento do livro “Isa – A menina que ama gatos”, apresentado por Andressa Luchiari, seguido por relatos de mães atípicas que emocionaram o público ao compartilhar desafios, sobrecargas e conquistas construídas no dia a dia.
Mais do que um evento, o 1º Congresso TEA evidenciou que a inclusão não pode permanecer apenas no discurso. Ao reunir conhecimento, experiências e vivências reais, o encontro reforçou que transformar essa realidade exige ação coletiva, continuidade e compromisso, porque garantir direitos, ampliar oportunidades e reconhecer potencial não é uma escolha, mas uma responsabilidade de toda a sociedade.