Transferência de relógio centenário da Mooca para Taboão da Serra levanta questionamentos sobre memória urbana
Relógio histórico foi retirado da Mooca e transferido para a sede da Prodesp, em Taboão da Serra
Um relógio histórico com mais de 100 anos de existência desapareceu do prédio da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, localizado no bairro da Mooca, na capital paulista, após a suspensão do leilão do imóvel. A peça, que integrava o patrimônio histórico do local, pertencia originalmente à antiga Fábrica de Calçados Clark, que funcionava na esquina das ruas da Mooca e João Antônio de Oliveira.
O caso gerou questionamentos entre moradores e frequentadores da região, especialmente porque havia a determinação de preservação do relógio mesmo diante da desocupação do prédio. No entanto, imagens recentes indicam que o objeto foi retirado do local.
Após a repercussão negativa e críticas da população da Mooca, o relógio foi transferido para a sede da Prodesp, em Taboão da Serra.
A transferência está relacionada à mudança de gestão do imóvel. O prédio da antiga Imesp foi incorporado ao patrimônio da Prodesp em 2021, após a desativação da unidade da empresa no local. Posteriormente, o terreno — com cerca de 22,6 mil metros quadrados — foi colocado à venda por meio de licitação pública.
A empresa vencedora foi a Cyrela, que apresentou proposta de R$ 150 milhões, acima do lance mínimo estipulado em R$ 130 milhões, conforme avaliações divulgadas anteriormente pela própria Prodesp. Apesar disso, o leilão acabou sendo suspenso, o que aumentou a incerteza sobre o destino do imóvel e de seus bens históricos.
Patrimônio histórico e transformação digital
Fundada em abril de 1891, a Imprensa Oficial foi criada com a missão de organizar e divulgar os atos dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário do Estado de São Paulo por meio do Diário Oficial. A primeira edição do periódico circulou em 1º de maio daquele ano.
Ao longo de mais de um século, a instituição passou por diversas transformações, incluindo a modernização de seu parque gráfico a partir de 1995 e a criação de uma editora própria, responsável pela publicação de obras relevantes para a preservação da memória cultural paulista.
Mais recentemente, a Imesp também assumiu papel estratégico na certificação digital no Estado e, em 2024, concluiu a migração do Diário Oficial para o formato totalmente digital.
A justificativa apresentada pelo governo estadual para a venda do imóvel foi a destinação dos recursos arrecadados para investimentos na transformação digital dos serviços públicos.
Destino do relógio levanta questionamentos
Apesar de agora estar sob responsabilidade da Prodesp, em Taboão da Serra, o deslocamento do relógio histórico reacendeu o debate sobre a preservação de patrimônios culturais ligados à memória industrial da Mooca.
Moradores da região criticam a retirada da peça sem transparência prévia e cobram garantias de que o objeto será devidamente preservado e, eventualmente, devolvido ao seu contexto histórico original.
O episódio evidencia o desafio de conciliar modernização administrativa com a preservação de elementos que ajudam a contar a história da cidade de São Paulo.