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10 de fevereiro de 2026

Justiça de Taboão da Serra interroga réus por falso atentado contra ex-prefeito Aprígio em 2024

Audiência virtual marca primeira oitiva dos acusados no caso que envolveu tentativa de homicídio e suspeita de uso político do ataque durante o período eleitoral

O Taboanense

A Justiça de São Paulo iniciou nesta terça-feira, dia 10, a oitiva dos réus acusados de envolvimento no falso atentado que feriu o então prefeito de Taboão da Serra, José Aprígio (Podemos), durante o período eleitoral de 2024. A audiência de instrução será realizada de forma virtual, a partir do fórum da cidade, e marca a primeira vez que os acusados são formalmente interrogados no processo.

Dois réus estão presos estava programado para serem ouvidos a partir das 16h. Outros três seguem foragidos e são procurados pelas forças de segurança. Ao fim dessa etapa, a Justiça decidirá se os cinco acusados serão levados a júri popular por tentativa de homicídio, além de outros crimes atribuídos ao grupo.

O processo apura um ataque ocorrido em 18 de outubro de 2024, quando o carro blindado em que estava Aprígio foi atingido por disparos de fuzil. O então prefeito foi baleado no ombro e na região da clavícula, mas sobreviveu. Motorista, um videomaker e um secretário municipal que o acompanhavam não se feriram.

Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, o atentado teria sido forjado com o objetivo de gerar repercussão política e beneficiar a candidatura de Aprígio à reeleição. De acordo com a Promotoria, o plano teria sido articulado por pessoas ligadas ao entorno político do então prefeito, após um primeiro turno eleitoral em que ele ficou atrás do principal adversário.

A denúncia apresentada pelo promotor Juliano Atoji aponta que Gilmar de Jesus Santos, Odair Júnior de Santana e Jefferson Ferreira de Souza participaram da execução do crime. Ainda conforme a acusação, os executores teriam sido contratados por Anderson da Silva Moura, conhecido como “Gordão”, e Clóvis Reis de Oliveira, identificados como intermediários.

Gilmar e Anderson estão presos preventivamente. Odair, Jefferson e Clóvis permanecem foragidos. Os acusados respondem por quatro tentativas de homicídio qualificado, adulteração de veículo, associação criminosa e, no caso de Anderson, também por lavagem de dinheiro.

As investigações indicam que os atiradores utilizaram um fuzil AK-47 para efetuar seis disparos contra o veículo. Após o ataque, os suspeitos teriam fugido em um carro adulterado, posteriormente incendiado em Osasco, na região metropolitana, numa tentativa de eliminar provas.

O Ministério Público sustenta que o grupo teria recebido a promessa de pagamento de R$ 500 mil pela encenação do atentado, valor que seria dividido entre os envolvidos. A polícia ainda tenta esclarecer quem seriam os mandantes do crime. Entre os investigados, chegaram a ser citados o próprio Aprígio e ex-secretários municipais, hipótese que o ex-prefeito nega.

Ouvido anteriormente como testemunha, Aprígio reafirmou não ter qualquer participação no plano. Em declarações anteriores, sua defesa afirmou que não há provas que o vinculem à suposta simulação do atentado.

O caso ganhou ampla repercussão à época após a divulgação de um vídeo que mostrava o então prefeito ferido dentro do carro, material que circulou rapidamente nas redes sociais e na imprensa. Apesar da visibilidade, Aprígio não foi reeleito e acabou derrotado nas urnas por Engenheiro Daniel (União Brasil).

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