Cursinho pré-vestibular Libertar pela Educação reúne mais de 600 pessoas em aula inaugural em Taboão da Serra
Evento realizado na UniFECAF marcou lançamento do ano letivo, ampliação de polos e criação de equipes esportivas para estudantes do cursinho popular
O projeto Libertar pela Educação, desenvolvido em Taboão da Serra, iniciou oficialmente o ano letivo de 2026 com uma aula inaugural que reuniu mais de 600 pessoas no auditório da UniFECAF, no Jardim Maria Rosa. O encontro contou com a participação de alunos, ex-alunos, professores e apoiadores, além da presença da secretária da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (SECADI), Zara Figueiredo, representante do Ministério da Educação, e marcou a apresentação dos novos polos, cursos e atividades esportivas que passam a integrar o projeto neste ano.
Durante o evento, também foram apresentados o uniforme e a equipe esportiva do projeto, além das novidades para 2026, que incluem ampliação de cursos, atividades esportivas e novos polos de atendimento para os estudantes.
O Libertar pela Educação é um cursinho popular voltado à preparação gratuita para o Enem e vestibulares. As aulas acontecem aos sábados, das 8h às 13h, com disciplinas tradicionais como Biologia, Química e Física, além de conteúdos voltados ao desenvolvimento socioemocional, cidadania, letramento racial e língua inglesa.
Segundo a secretária da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (SECADI), o apoio federal busca fortalecer iniciativas que já possuem histórico de resultados na formação de estudantes de baixa renda.
“A gente tem cursinhos populares como a Educafro, de onde vem o Libertar, com mais de 30 anos de trabalho bem-sucedido. O governo federal não precisa criar essas histórias, elas já existem. O que o presidente Lula e o ministro Camilo fizeram foi garantir recursos para que esses projetos possam melhorar a qualidade da oferta e evitar a evasão dos estudantes”, afirmou Zara Figueiredo.
Ela explicou que cada cursinho popular contemplado recebe cerca de R$ 208 mil em recursos federais. Parte do valor é destinada a bolsas de R$ 200 para estudantes em situação de vulnerabilidade e apoio financeiro para professores.
“O objetivo é transformar os cursinhos populares em uma política de Estado, garantindo material didático, bolsas e condições para que o direito à educação não dependa apenas do voluntariado”, acrescentou.

Cursos, cidadania e preparação profissional
De acordo com o coordenador geral do projeto, Rodrigo Martins, a grande adesão à aula inaugural demonstra a dimensão da demanda por oportunidades educacionais. “Ficamos muito felizes com o número de pessoas que acreditam no projeto. Foi uma surpresa positiva. Percebemos que a necessidade vai muito além do cursinho preparatório. A educação é uma construção maior, que também precisa preparar a juventude para o mercado de trabalho”, afirmou.
Para ampliar essa formação, o projeto oferece cursos gratuitos nas áreas de administração, direitos humanos, liderança e inglês. A proposta é complementar a preparação acadêmica com conteúdos voltados ao desenvolvimento profissional e social.
“O cursinho é apenas uma parte do processo. Queremos formar jovens preparados para a universidade, mas também para a vida profissional e para exercer cidadania”, explicou o coordenador.
Esporte passa a integrar o projeto
Outra novidade anunciada para 2026 é a criação do Desportivo Libertar, com atividades esportivas voltadas exclusivamente aos alunos do cursinho. Entre as modalidades estão futsal, vôlei, skate e pingue-pongue.
As equipes terão participação masculina e feminina e contarão com professores de educação física e treinadores especializados.
“Quando falamos de educação, falamos também de cidadania. E cidadania inclui esporte, lazer e convivência. Muitos jovens veem essas modalidades na televisão, nas Olimpíadas, mas não têm oportunidade real de praticar”, destacou Rodrigo Martins.

Polos e expansão do projeto
Atualmente o Libertar funciona em dois polos. Em Taboão da Serra, as atividades ocorrem no Polo Lúcio de Castro Bueno, no Parque Pinheiros, e no Polo Heitor Cavalcante Alencar Furtado, no Jardim Record. E um terceiro polo que irá funcionar em Embu das Artes, nos próximos 15 dias será divulgado o endereço.
A estrutura foi ampliada para atender cerca de 600 alunos, divididos entre os polos. O espaço Heitor Cavalcante concentra as atividades esportivas, enquanto o polo Lúcio de Castro recebe os cursos técnicos e de formação complementar.
A seleção de alunos que recebem auxílio financeiro é feita com base em critérios socioeconômicos. Atualmente, cerca de 120 estudantes recebem bolsa de R$ 200 para ajudar com transporte e despesas básicas.
“Esse apoio faz diferença para muitos jovens. Às vezes ele significa poder pagar a condução, ir ao cinema ou frequentar espaços que antes estavam fora da realidade deles”, explicou o coordenador.
Resultados e impacto social
Os resultados do projeto já aparecem nos números. Em 2025, o Libertar comemorou a aprovação de 76 estudantes no ensino superior. Desse total, 23 ingressaram em universidades públicas, 37 conquistaram bolsas integrais pelo Programa Universidade para Todos e 16 conseguiram bolsas completas por meio de parcerias institucionais.
A coordenação espera ampliar ainda mais esses resultados nos próximos anos. “No último vestibular tivemos 87 aprovações e acreditamos que podemos chegar a 150 no próximo ano. Nossa juventude precisa de oportunidade, e quando ela aparece, os resultados surgem”, afirmou Rodrigo Martins.
Além das aulas e bolsas, o projeto também oferece lanche para os estudantes, distribuição mensal de cestas básicas para famílias em situação de vulnerabilidade e apoio na busca por emprego.
Para os organizadores, o Libertar pela Educação representa mais do que um cursinho preparatório. A proposta é construir uma rede de apoio que ajude jovens a transformar sonhos em projetos de vida por meio da educação.