67 anos: conheça a história de Taboão da Serra, da Vila Poá à emancipação
Taboão da Serra completa 67 anos de emancipação nesta quinta-feira, 19 de fevereiro. A trajetória do município começou muito antes da oficialização da cidade e remonta ao início do século XX, quando a região ainda era conhecida como Vila Poá.
Por volta de 1910, um pequeno vilarejo foi instalado às margens dos córregos Poá e Pirajussara. Eram poucas casas, a maioria chácaras dedicadas ao cultivo de batatas, cenouras e mandiocas, além de pomares e algumas parreiras. A área, predominantemente rural, começava a formar uma comunidade.
Com o tempo, a localidade passou a atrair moradores. Padres que frequentavam a região aproveitaram o ambiente arborizado para criar uma espécie de colônia de férias, onde realizavam atividades esportivas e culturais nos fins de semana. A boa localização e o clima ameno contribuíram para que novas famílias se instalassem no local.
Isolamento e primeiros desafios
Nos primeiros anos, Vila Poá era considerada distante do centro da capital. Não havia linhas regulares de ônibus e, para chegar ao Largo do Arouche, por exemplo, os moradores precisavam caminhar até o Butantã. De lá, partia apenas uma jardineira por dia com destino ao centro de São Paulo.
Apesar das dificuldades de acesso, a população cresceu. No início da década de 1950, a região já contava com quase cinco mil habitantes. Em 1953, tornou-se oficialmente subdistrito de Itapecerica da Serra.
Foi nesse período que começou a ganhar força o movimento pela emancipação. Reuniões entre moradores passaram a definir os rumos da futura cidade.
A emancipação
O plebiscito que autorizou a criação do município enfrentou dificuldades, mas contou com o empenho de moradores que lideraram o processo. Entre eles estava Luzia Hellmeister Jurado, uma das nove emancipadoras de Taboão da Serra.
Em 1958, a comissão formada pelos emancipadores protocolou o pedido na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Os nove nomes que marcaram esse momento histórico são: José Andrade de Moraes, Álvaro Manoel de Oliveira, José Ruiz Moreno, Sebastião da Cunha, Benedito Carneiro de Freitas, Léo Baranowsky, Hosuke Hatake, Luzia Hellmeister e Mary Rose Ducase Maciel.
A lei que criou o município foi aprovada e promulgada pelo governador do Estado. Reeditada em 18 de fevereiro de 1959 e publicada no Diário Oficial em 19 de fevereiro do mesmo ano, a data passou a marcar oficialmente o aniversário de Taboão da Serra — que inicialmente era comemorado em 22 de dezembro de 1958.
Origem do nome
A versão mais aceita sobre o nome da cidade aponta para a planta “taboa”, comum nos brejos da região. O complemento “da Serra” foi acrescentado como homenagem a Itapecerica da Serra, município-mãe de onde Taboão e outras cidades da região se emanciparam.
A árvore símbolo
Para muitos moradores, especialmente os mais antigos, a Pitangueira é considerada a árvore símbolo do município. A história remete ao Largo do Taboão, onde ficava a Pitangueira do “Seu Zeca”, plantada há mais de seis décadas e que teria acompanhado o crescimento da cidade.
Na década de 1970, a árvore original precisou ser removida para a ampliação da Rodovia Régis Bittencourt. Em 2008, a Prefeitura e o Shopping Taboão plantaram uma nova muda no Largo do Taboão, simbolizando a antiga árvore.
Posteriormente, um projeto do então vereador Olívio Nóbrega foi aprovado na Câmara Municipal, oficializando a Pitangueira como árvore símbolo de Taboão da Serra. Hoje, a árvore está replantada ao lado da casa paroquial do Santuário Santa Terezinha, onde permanece como referência histórica do município.