Policiais do Setor de Investigações Gerais (SIG) da 5ª Seccional Leste iniciaram a aproximadamente 50 dias o monitoramento de uma quadrilha especializada em roubos à caixas eletrônicos que, a princípio, agia apenas em São Paulo. Segundo Marco Antônio Bernardino, delegado titular do SIG da 5ª Seccional, “o acompanhamento contou com intercepções telefônicas, autorizadas pela Justiça, presença ocular em reuniões e até gravações de vídeo, feitas quando o grupo se reuniu em shopping da Capital paulista”.
Há exatos 40 dias, a equipe recebeu a informação de que três pessoas tinham sido presas na cidade de Pipeta, no Rio de Janeiro, e que uma estava foragida. “Soubemos que um homem ficou mais de cinco horas na mata para conseguir escapar do cerco policial e que o grupo era acusado de roubo a caixas eletrônicos”, conta Mauro Bernardino Santos, escrivão do centro de Inteligência Policial (CIP) do SIG da 5ª Seccional.
Tentativa de roubo
O alvo escolhido, um posto de gasolina na rodovia Raposo Tavares, tinha uma padaria, com funcionamento 24 horas, e oito salões que passavam por reformas e não estavam alugados, mas que abrigavam caixas eletrônicos. Na manhã desta segunda-feira, cinco homens chegaram ao local do crime em dois carros, um Peugeot 307 e um VW Pólo, e renderam dois dos três vigias.
O terceiro segurança, L.C.S., de 25 anos, era, de acordo com Santos, um dos integrantes da quadrilha e participava da ação fornecendo informações sobre as condições de segurança do local, que não contava com câmeras de vigilância e alarme e se limitavam à presença dos vigias.
No momento em que a polícia se revelou e abordou o quinteto, L. ainda ligou para um dos criminosos, para alertá-lo sobre a presença dos policiais. Aviso tardio, pois a equipe já tinha rendido o grupo e, minutos depois, ainda prendeu o vigia, a 200 metros do posto do gasolina.
Além de L., foram presos os motoboys D.S.M, de 29 e G.O.L.V., de 27, o taxista J.R.D., de 32, o comerciante R.S.S., de 32, e o corretor de imóveis E.C.S., de 39. D. foi um dos três homens presos na ação policial do Rio de Janeiro e estava em liberdade condicional.
Prisão do grupo resultou na apreensão de maçarico de R$ 20 mil
Além dos automóveis, foram apreendidos um maçarico, dois cilindros, um transformador de energia, um pé de cabra, lâmpadas, marretas, luvas, mascaras, óculos protetores, alicates de pressão, ponteiras, lixadeiras e duas lonas que seriam usadas na porta do salão para esconder a ação do grupo.
Segundo o escrivão, só o maçarico vale cerca de R$ 20 mil. Esse equipamento, durante o uso, não causa fumaça e nem faíscas, por se valer de um sistema de corte moderno chamado ‘plasma’. As máscaras e óculos apreendidos, portanto, serviriam apenas para proteger os olhos contra o gás pimenta, que muitos caixas eletrônicos já têm e é emitido quando o lacre é violado.
Após serem indiciados na 5ª Seccional - Leste, por tentativa de roubo e formação de quadrilha, que prevêem penas, somadas, de três a 11 anos de detenção, os homens serão encaminhados para o 31º Distrito Policial, onde serão fotografados e terão as impressões digitais colhidas. Depois, seguem para o Centro de Detenção Provisória (CDP) do Belém, onde ficam à disposição da Justiça.