A criança teve as costas perfurada por bisturi durante o procedimento. A Polícia Civil trabalha com a suspeita de erro médico e falsidade ideológica
O bebê morto após ser atingido nas costas por um bisturi usado na cesariana ocorrida na manhã de domingo (29), no Hospital Municipal do Campo Limpo, foi enterrado no fim da manhã desta terça-feira (31) no Cemitério Jardim da Paz, em Embu. O caso foi registrado como homicídio culposo (sem intenção) e falsidade ideológica no 92º Distrito Policial (Parque Santo Antônio).
Uma adolescente de 14 anos, mãe da criança, chegou à maternidade do hospital e, três horas depois, já estava na sala de cirurgia. Quando o parto terminou, um parente suspeitou que algo estava errado. Fotografou mãe e filho, que estava desacordado.
Policiais foram chamados ao hospital e informados que a criança havia sido ferida quando o médico fez o corte da cesariana. O bisturi perfurou as costas, rompeu a musculatura e atingiu a espinha do bebê. O boletim de ocorrência elaborado aponta também hematomas no corpo do recém-nascido.
Os médicos que fizeram a cesariana disseram à polícia que surgiram complicações durante o parto. Mas não souberam explicar por que a criança sofreu o corte nas costas. A coordenação do hospital foi questionada e informou que o ferimento foi proveniente da incisão feita na barriga da menina para que o parto fosse realizado.
Marcelo Antonio Negrão Gusmão, diretor do hospital, disse que o ferimento foi um acidente e que o parto foi de emergência por causa da posição do bebê e do tempo de gestação. A mãe do bebê permanece internada no Hospital do Campo Limpo e deve ter alta ainda hoje.
Contradições
Outro motivo de questionamento foi a guia de encaminhamento de cadáver dado à família. Segundo a polícia, na linha destinada ao tempo de gestação havia uma rasura. No mesmo espaço havia a informação de que a gravidez durou 31 semanas, quando o tempo registrado na guia do hospital é de 26 semanas.
Além de não informar a razão das lesões na criança, o documento encaminhava o corpo ao Serviço de Verificação de Óbito (SVO) e não ao Instituto Médico Legal (IML), como procede em mortes com sinais de violência. O representante do hospital não soube dizer a causa da alteração da guia.
Em nota, a Secretaria Municipal da Saúde, responsável pelo hospital, lamentou a morte e informou “que já está aberta uma comissão preliminar de apuração para investigar o óbito”. O Conselho Regional de Medicina abriu uma sindicância para apurar os fatos. O laudo sobre a morte do bebê deve sair em até 40 dias.
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