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Waldemar Gonçalves: um ícone da memória de Taboão da Serra
30.12.2008
É impossível contar a história de Taboão da Serra sem citar, ou ainda mais, sem reconhecer a participação do jornalista e historiador Waldemar Gonçalves, autor de dois livros sobre a memória da nossa cidade. Ícone da preservação histórica do município, Waldemar lutou até a sua morte, em julho de 2007 pela criação de um museu, onde documentos, fotos e tantas outras lembranças estariam expostas contando para uma nova geração todos os caminhos que nos trouxeram até aqui.
 
Querido por todos, Waldemar Gonçalves foi uma espécie de Dom Quixote da nossa história, fez de tudo para preservar a história taboanense deixou mais do que um legado, deixou, acima de tudo, um exemplo de cidadania e amor por Taboão da Serra e por todos os moradores.
 
Waldemar Gonçalves nasceu no dia 1º de fevereiro de 1923, filho de imigrantes espanhóis, veio morar na região com cinco anos de idade. Completou o ginasial em Pinheiros, onde aprendeu a profissão de alfaiate, e logo depois, passou a exercer a função de modelista industrial de roupas.
 
Foto: Eduardo Toledo | Portal O Taboanense

Waldemar Gonçalves durante ensaio fotográfico realizado em 2003
 
Formado em administração de empresas, Waldemar também é técnico em racionalização do trabalho, têm experiência em cursos de inspetoria de segurança do trabalho e da saúde. Em 1956 aconteceria a grande virada de sua vida, ingressando na área de jornalismo, Waldemar foi um verdadeiro defensor da liberdade de expressão. Começou sua carreira jornalística, trabalhando no jornal O Estado de São Paulo, como correspondente da área do Vale do Ribeira.
 
Dedicando-se mais ao município, começou a trabalhar em vários jornais da cidade (Gazeta do Taboão, Correio de Notícias, Correio de Bairros). Mais tarde, sentindo a necessidade de um veículo de comunicação num bairro que crescia assustadoramente, Waldemar montou seu próprio jornal em 1978, 'O Pirajuçara', que durante 15 anos foi um dos mais importantes jornais da cidade. Extinto em 1993, o periódico deixou uma lacuna aberta na imprensa da região.
 
Por tudo o que fez, o jornalista Waldemar Gonçalves foi agraciado pela Câmara Municipal de Taboão da Serra com o diploma de Mérito Cívico, e pela Sociedade de Estudos de Problemas Brasileiros, com medalha e diploma da ordem das Bandeiras no grau de comendador. Além disso, recebeu o título de cidadão taboanense e a medalha 19 de fevereiro. Em suma, recebeu todas as honrarias do município.
 
Waldemar é uma das pessoas que participaram do movimento emancipatório de Taboão da Serra, ajudando na confecção da bandeira e do hino da cidade. Além desses incontáveis adjetivos, Waldemar é historiador, e é também a história viva da cidade. Como ele próprio se denomina, é uma testemunha ocular das transformações de Taboão da Serra. Talvez seja por essa rica bagagem que ele leva guardada em sua memória e no seu coração, que resolveu escrever o livro, 'Taboão da Serra sua história e sua gente', lançado pela sua própria editora (O Pirajuçara). 

Foto: David da Silva

O jornalista Waldemar Gonçalves trabalhando em sua rotativa
 
Essa obra se transformou em referência para todos os professores, estudantes e pessoas que se interessam pela história de nossa cidade, contribuindo assim, para que Taboão da Serra tenha, além de um futuro promissor, um registro do passado, nesta curta história de luta que muitos desconhecem e alguns até ignoram.
 
Em 2.000, lançou seu segundo livros sobre a cidade: "Taboão da Serra na virada do milênio". Intitulado como um memorial jornalístico e fotográfico elaborado e comentado por quem viu o município nascer, a obra foi editada pelo próprio autor, que contou com a ajuda de amigos para organizar o trabalho.
 
Independente de tudo, de qualquer obra já realizada pelo "velho" Waldemar, todos que o conhecem abrem um sorriso sincero quando o encontram ou quando ele é lembrado em conversas de botequins. Jornalistas, políticos, amigos, todos sentem um carinho enorme por aquele que ensinou a todos que Taboão da Serra é mais do que uma esquina de São Paulo. 

 Leia também o artigo sobre a morte de Waldemar Gonçalves
 
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