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Junho
de 2007

ESPECIAL PARA O PORTAL O TABOANENSE

POR CAROLINA CONTI

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Embu, além de perto, é ótima opção
de passeio nos finais de semana
Em uma simples volta pelo centro de Embu, é possível habitar o
universo da arte em seus diversos matizes. Pintores, ceramistas,
índios músicos e muitos outros artistas se manifestam através
de seus trabalhos expressivos e sensíveis. É possível sentar na
soleira de um casarão antigo e poetizar com um escultor, deliciar-se
com um "picadinho jesuítico" no tradicional restaurante "A Casa
do Barão" - que conserva o mobiliário das antigas fazendas - e
tomar um café divino no simpático "Esquina do Café".
O que
poucos sabem, na verdade, é que a tradição de cidade das artes
vem de séculos, quando jesuítas habitavam a até então aldeia de
M'Boi (que em tupi-guarani significa cobra grande). A casa que
abriga hoje o Museu de Arte Sacra, construída de taipa de pilão
e óleo de baleia, funcionou como pólo de catequização dos índios
durante a segunda metade do século XVII.
Foto:
Paulo Herson | Arquivo do www.otaboanense.com.br

Museu
de Arte Sacra do Embu: ótima opção para os
fins de semana
Uma fazenda
doada à Companhia de Jesus, nas imediações do Embu, foi de extrema
importância aos jesuítas. A casa abrigou uma oficina, onde se
fabricavam todos os móveis, utensílios, oratórios e imagens sacras
necessárias aos avanços da Companhia. O material produzido era
transportado à casa-sede, em São Paulo, por carros-de-boi.
O trabalho
mais comum no Embu hoje - acredita-se que em virtude da própria
história - é o feito em madeira. Além da produção de santos, orixás
e carrancas, existe uma arte contemporânea, voltada ao cotidiano
das pessoas.
Um quiosque,
que funciona como oficina, produz obras de todos os tipos. Chama
a atenção o trabalho feito por Cláudio Venerando, de 49 anos.
Suas esculturas têm sempre como tema a maternidade. "A inspiração
vem de casa", diz ele. A cada trabalho pronto, existe um encantamento
por parte dos turistas que circulam pelo quiosque. Em virtude
da demanda, Cláudio alega: "Funcionamos de segunda a segunda.
Somos escravos do mundo". Formado em desenho artístico em Santa
Catarina, o artista paranaense veio para o Embu há 32 anos, conheceu
a arte em madeira, aprendeu e hoje sobrevive disso.
Uma outra
corrente artística que se desenvolveu e está enraizada na cidade
é a do movimento hippie, que veio na década de 60 a convite de
artistas nativos. Estabeleceram-se na praça central - local que
ocupam até hoje - e fundaram a Feira de Arte e Artesanato, que
serve de chamariz aos turistas.
Pela proximidade
de Taboão da Serra - cerca de 12 km - e tradição nas artes,
o Embu convida milhares de turistas a passearem por suas ruas
ao longo do ano, independentemente da época ou estação, o que
só faz fortalecer o comércio local. Feriados e finais de semana
ensolarados são garantia de cidade abarrotada de gente, que se
aglomera entre uma barraca e outra para admirar as obras de arte.
Para a
carioca Lúcia dos Santos, de 56 anos, o Embu "encanta por tudo
o que tem". Lúcia vive em São Paulo há mais de 30 anos e desde
a década de 70 visita Embu das Artes com freqüência, ratificando
a idéia de encantamento por parte dos turistas e a presença de
ares favoráveis à inspiração humana, estes que a própria história
comprova.

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