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Janeiro
de 2007

POR RITA DE BIAGGIO

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Feira de Embu das Artes completa 38 anos
Turistas do mundo inteiro visitam Embu das Artes durante sua passagem
pelo Brasil. São franceses, alemães, japoneses, americanos, mexicanos,
colombianos, portugueses, chilenos, argentinos, entre outros,
e visitantes de vários estados brasileiros que vêm conhecer e
comprar o que há de melhor em arte artesanato brasileiro. O perfil
do público é variado, indo de famílias inteiras e suas crianças,
a casais, grupos de jovens, da melhor idade, empresários, artistas,
advogados, donas de casa, profissionais liberais até políticos.
Cálculos da Secretaria Municipal de Turismo revelam que entre
10 e 20 mil pessoas passam pela Feira de Embu das Artes aos sábados,
domingos, feriados ou passeiam pela cidade de segunda a sexta-feira,
que no dia 31 de janeiro completa 38 anos.
Um dos
cartões postais do município, a Feira de Embu das Artes transformou-se
no maior evento do gênero no país pela ação visionária de protagonistas
como o escultor Assis do Embu (falecido em 2006), o ceramista
Sakai do Embu (também falecido), entre outros nomes, na sua maioria
artistas e hippies que expunham na Praça da República e vieram
morar na cidade. Instalada inicialmente em frente ao Museu de
Arte Sacra, no Largo dos Jesuítas, a feira surgiu em 1969, com
poucos artistas expondo suas obras em panos estendidos no chão.
Foto:
Divulgação
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A
Feira de Embu cresceu e espalhou-se por 12 ruas e vielas do
centro histórico, num total de 36.000 m2 que reúne mais de
600 expositores. Com preços que variam de R$ 1,00 (uma corujinha
em metal do artesão Toninho) a R$ 25 mil (escultura em madeira
“A Favela”, do artista plástico Rivelini), a feira tem de
tudo: artes plásticas, artesanato variado – obras em cerâmica,
placas em madeira, bijuteria, bonecas de pano, utensílios
para cozinha, artigos de ferro para decoração da casa,camisetas
tingidas artisticamente, |
| Escultura
na Feira do Embu |
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brinquedos
pedagógicos, jóias, bolsas, sandálias, tapetes, artigos em couro,
incenso, objetos indígenas, entre outras peças - comidas típicas
como o acarajé da baiana dona Laura na esquina da Rua Joaquim
Santana, e o setor de plantas, flores e ervas medicinais da Rua
Siqueira Campos. Na feira também tem mel, pães caseiros e raspadinha.
A tenda “Embu das Artes ao Vivo”, no Largo 21 de Abril, está entre
as principais atrações da estância turística.
Patrimônio
histórico tombado desde 1938 por indicação do escritor Mário de
Andrade, a feira se diferencia das demais existentes justamente
por estar instalada no município de Embu das Artes, cidade repleta
de belezas naturais e artísticas, com histórias, mitos e tradições.
Está pertinho da megalópole (a 27 km da capital paulista), mas
mantém características das cidades do interior, com sua arquitetura
colonial paulista. As ruas de paralelepípedos do centro histórico,
que circundam o Museu de Arte Sacra dos Jesuítas, são um convite
a uma caminhada despreocupada, a um almoço ou um café e uma visita
demorada pelas lojas da cidade. A cidade conta ainda com atrações
como o memorial Sakai, Museu do Índio, a Fonte dos Jesuítas e
o Parque do Lago Francisco Rizzo, espaço ecológico com um belo
lago repleto de peixes, pista para caminhada, cooper e atividades
de lazer.
Embu respira
arte desde sua fundação. Os padres jesuítas e os índios guaranis
foram os primeiros artistas de Embu. Suas mãos marcaram o caráter
da cidade visíveis na arquitetura da igreja, na escultura dos
santos de madeira, nas pinturas e entalhamentos. Documentos históricos
contam que os jesuítas aceitam encomendas de santos e é bem possível
que essa tradição de santeiro tenha se mantido entre os poucos
habitantes a vila durante o século 19 e início do século passado.
A construção da igreja Nossa Senhora do Rosário, com sua torre
em estilo moçárabe, já era arte.

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