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Janeiro
de 2007

DA REDAÇÃO DO O TABOANENSE

POR EDUARDO TOLEDO

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Peças roubadas do museu de arte sacra do Embu podem ter ido para
o exterior
A Polícia Federal e o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico
e Artístico Nacional) acreditam que as peças roubadas do Museu
de Arte Sacra do Embu, no último dia quatro de outubro, possam
estar sendo negociadas com colecionadores estrangeiros. Os objetos
foram inseridos no banco de dados da Interpol tanto para circulação
na sua rede segura, como para permitir o acesso ao público pela
Internet.
Segundo
Til Costa Pestana, subgerente de Bens Móveis e Integrados do Iphan,
diversas obras roubadas no Brasil podem ter o exterior como destino.
"Guardamos a desconfiança de que certas peças do nosso patrimônio
estejam no exterior, pois despertam o interesse do comércio ilícito
internacional", afirma. De acordo com Pestana, os bens culturais
são visados por uma série de motivos, até para o crime de lavagem
de dinheiro.
Na ocasião,
três bandidos entraram armados no museu, renderam os seguranças,
e levaram peças importantes do acervo do museu, inclusive algumas
tombadas pelo patrimônio histórico nacional, entre elas seis coroas
de santo em prata e ouro, um sino e um porta hóstia. Todas as
obras foram produzidas entre os séculos XVII e XX.
Foto:
Eduardo Toledo | www.otaboanense.com.br
O
Museu de Arte Sacra do Embu assaltado em outubro
O objeto
mais valioso levado pelos criminosos foi uma coroa de prata produzida
entre 1690 e 1700, a peça mede 11 centímetros e segundo o padre
jesuíta Carlos Alberto Contieri, diretor do museu, o valor da
obra é incalculável. "Todo valor monetário fica muito aquém daquele
que a obra historicamente vale, é impossível calcular o prejuízo",
disse.
As coroas
eram usadas para adornar os santos e são tombadas pelo patrimônio
nacional como artigo de relevância histórica. O museu de Arte
Sacra do Embu tem um dos acervos históricos religiosos mais importantes
do Brasil.
Além da
coroa de prata do século XVII, os bandidos levaram outras cinco
coroas, uma delas de ouro maciço, outras duas banhadas a ouro
e duas de prata, todas as peças do início do século XX. Os criminosos
levaram ainda um cibório (porta-hóstia), um porta-oléo e um sino
com três badalos. O material estava dentro de um armário do museu.
De acordo
com informações da Interpol, tanto países desenvolvidos como em
desenvolvimento são afetados igualmente pelo roubo de bens culturais.
Por isso a polícia internacional está se empenhando em uma série
de ações e desenvolvendo parcerias para combater o comércio ilícito
de objetos culturais. O
banco de dados de obras procuradas pela Interpol está disponível
na web.
A Interpol,
Organização Internacional de Polícia Criminal, é uma organização
internacional que ajuda na cooperação de polícias de diferentes
países. Surgiu em Viena, na Áustria, no ano de 1923. Hoje sua
sede é em Lyon, na França. A Interpol é uma central de informações
para que as polícias de todo o mundo possam trabalhar integradas
no combate ao crime internacional, o tráfico de drogas e os contrabandos.
Ousadia
Os bandidos
foram ousados no assalto. Por volta das 9h50 da quarta-feira,
três jovens armados, aparentando terem entre 17 e 19 anos, já
entraram com os revolveres em punho. Em segundos, eles renderam
os dois vigias que faziam a segurança do local e ainda um funcionário.
O grupo foi para a área do museu em que as obras ficavam.
O que
mais chamou a atenção é que os criminosos foram direto nas peças
mais importantes e que sabiam exatamente onde elas estavam guardadas.
De acordo com o padre Contieri, um dos vigias reconheceu dois
dos três bandidos. Eles haviam visitado o museu na sexta-feira
passada.
Na sexta-feira,
quando o crime foi comunicado a imprensa, a polícia disse que
dois homens, que têm passagem na polícia de Embu, foram reconhecidos
como suspeitos por um funcionário do museu. A Polícia Civil irá
intimar os suspeitos para deporem, além de produzir um retrato
falado com as características dos envolvidos.
Em setembro
do ano passado, a TV Taboanense fez uma reportagem especial sobre
o museu, contando sobre a sua história e as obras de arte do local.
As peças roubadas estavam guardas e não puderam ser filmadas na
época. Para assistir a reportagem, clique aqui.
O Museu
de Arte Sacra dos Jesuítas fica em um prédio que foi construído
em 1690, no local funcionava um seminário para padres. Hoje em
dia o local abriga o maior acervo de imagens rocas, a maioria
delas foram esculpidas por índios entre os séculos 17 e 18.

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