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Novembro
de 2006

DA REDAÇÃO DO O TABOANENSE

POR EDUARDO
TOLEDO

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Cooperifa representa a comunidade e vence prêmio Hutúz
Colaborou
Anderson Chagas, do Jornal O Globo
Taboão
da Serra subiu no degrau mais alto do hip-hop nacional nesta última
quinta-feira, dia 23, quando a Cooperifa recebeu o prêmio Hutúz,
espécie de Oscar do rap brasileiro. O evento, patrocinado pela
Rede Globo e Petrobras, aconteceu no Canecão, no Rio de Janeiro,
e mostrou que a nossa cidade está no topo da cultura periférica.
A Cooperifa,
criada pelo poeta Sérgio Vaz, morador de Taboão da Serra, recebeu
o prêmio na categoria de "hip-hop Ciência e Conhecimento". Esse
é evento mais importante do mundo do rap nacional. Para se ter
uma idéia, o Hutúz é uma espécie de Festival de Gramado para o
cinema nacional.
Foto:
Divulgação | www.otaboanense.com.br
Sérgio
Vaz e Mano Brown, dos Racionais: Prêmio Hutúz, é
tudo nosso
A cerimônia
de entrega do 7º Prêmio Hutúz teve a apresentação da cantora Negra
Li e do atleta Robson Caetano. Além da entrega dos prêmios, o
festival Hutúz de hip-hop, tem promovido diversos eventos no Rio
de Janeiro. Paralelamente, aconteceu o o Hutúz Filme Festival,
com clipes, curtas e longas de vários lugares do Brasil, além
de americanos e africanos.
Na mesma
categoria disputaram o Prêmio Hutúz outros quatro projetos: Rap
Canto da Ceilândia, Dugueto, Suburbano Convicto e Nuc. "Todos
os projetos são maravilhosos, isso dignifica ainda mais o nosso
prêmio, um prêmio que veio aqui par Taboão", afirmou o poeta Sérgio
Vaz. O Prêmio Hutúz é um evento ligado a Cufa (Central Única das
Favelas) e conta com o apoio da Petrobras, Banco do Brasil, Columbia
Pictures e do Governo Federal, além da Rede Globo.
Segundo
Sérgio Vaz, "o Hip-Hop é muito mais que um estilo musical; é um
conjunto de valores e ações que interferem diretamente na vida
das pessoas que participam". A Cooperifa, Cooperativa de Artistas
da Periferia, recebe grande influência dessa cultura e pelo trabalho
que vem desenvolvendo nesses cinco anos foi indicada e acabou
vencendo esse importante prêmio.
O Hutúz
é um evento que faz parte do calendário turístico e cultural da
cidade, isso quer dizer que no mês de novembro, o Rio de Janeiro
sempre se transforma na capital mundial do Hip-Hop. Paralelamente
ao Prêmio acontece a mostra das diversas atividades que rolarão
durante todo o mês de novembro como batalhas de break e MC, basquete
de rua, grafiti, skate, filmes, feira,dj e teatro.
O Hip-Hop
virou uma grande referência da cultura negra. O movimento surgiu
nos Estados Unidos como uma válvula de escape dos moradores que
buscavam uma solução para a realidade dura em que viviam. No Brasil,
o movimento tem encontrado cada vez mais adeptos, a maior parte
formados por jovens e crianças que descobrem através dessa cultura,
uma outra maneira de encarar a vida.
Evento
No sábado,
dia 25, aconteceu no Armazém 5, o Hutúz Rap Festival, com atrações
como Racionais MCs, MV Bill e Pavilhão 9. O prêmio Hutúz premiou
talentos de diversas categorias, entre elas, melhor Videoclipe,
DJ de grupo, Grupo do Norte-Nordeste, Grafite, Álbum do Ano, Revelação
do Ano, Grupo ou Artista Solo, Gospel, Break e Música.
A entrega
dos prêmios ficou por conta de nomes consagrados da cultura brasileira,
como Regina Casé, o grupo Nós do Morro e Caetano Veloso. Helião,
rapper de Pirituba, foi o grande homenageado da noite. Numa entrevista
emocionante exibida no telão, família, amigos e vozes de peso
do rap refizeram a trajetória de Helião e ilustraram o perfil
didático de o artista lidar com a música, sua preocupação com
métricas de rima, cadência, presença de palco e outros toques.
Entre
cada premiação, uma atração pra lá de inusitada esquentava a platéia
que lotou o Canecão. O dueto formado por Rappin hood e Gilberto
Gil foi o convite perfeito para sacudir o esqueleto nas batidas
do rap, sem contar os shows de figuras internacionais como o angolano
MC Kappa e do aclamado americano Mos Def.
Cheia
de estilo, Negra Li encerrou a noite do evento com sua voz e beleza,
se despedindo de mais uma premiação. O Prêmio Hutuz nasceu da
iniciativa de jovens de diversas comunidades, geralmente negros,
que se reuniam para refletir sobre a falta de espaço para as artes
da periferia. O sonho que começou em 1999 juntamente com a Central
Únicas das Favelas (CUFA), hoje já é realidade.
Pessimismo
Antes
de receber o prêmio, o poeta Sérgio Vaz, comandante da Cooperifa
se mostrava pessimista. "Eu aposto no Alessandro Buzo, porque
além dele merecer, ele tem um trabalho muito bonito na divulgação
de novos grupos de rap. Também me parece que a rapaziada do NUC
de Belo Horizonte também tem um trabalho muito loco. O Duguetto
também não tem nada de bobo, é merecedor. Quem vai ganhar? Nós
todos já ganhamos, pode apostar", disse em seu blog.
Apesar
do pessimismo, a Cooperifa fez bonito, representou São Paulo,
representou Taboão da Serra e representou a periferia. Como o
próprio Sérgio Vaz diz: "É tudo nosso, é tudo nosso". Viva a Cooperifa.

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