Voltar para página inicial


Publicidade


Outubro de 2006
DA REDAÇÃO DO O TABOANENSE

POR
EDUARDO TOLEDO


Assis do Embu, ícone da cultura brasileira, morre aos 74 anos, na cidade que o acolheu


Morreu na noite desta segunda-feira, dia 30, aos 74 anos, o escultor e poeta Assis do Embu, um dos maiores artistas do país e um dos fundadores da feira de artes da cidade vizinha de Embu. Segundo informações de amigos, ele estava em sua casa quando começou a passar mal. Assis ainda foi socorrido, mas morreu ao chegar no hospital.

A notícia de sua morte só foi divulgada na manhã desta terça-feira. O corpo do artista foi velado no Salão Nobre da Câmara Municipal de Embu desde às 15h. O enterro estava previsto para acontecer na quarta-feira, dia 1º, às 10h30. Diversos artistas, amigos, parentes e políticos participaram do velório.

Sem dúvida nenhuma Assis do Embu é considerado um dos maiores escultores de madeira do Brasil. Apesar disso, há anos ele vinha trabalhando apenas com Pedra Sabão. Suas obras estão espalhadas por todos os continentes e no Brasil fez dezenas de exposições. "Nosso Amor é Forte", uma das suas esculturas mais conhecidas, está exposta na Câmara Municipal.

Foto: Divulgação
Assis do Embu: região deve muito a artista que dedicou sua vida a arte

Assis do Embu foi também um grande poeta, Na década de 70, escreveu um poema que se tornou muito famoso, chamado "Margarida". Os versos, recitados um a um por Assis em programas de rádio e até de TV, falavam sobre a guerra. Além disso, Assis também pintava e foi bailarino na Companhia Teatro Popular Brasileiro, do seu amigo Solano Trindade. Assis foi Secretário de Turismo e Cultura de Embu em 2000.

Segundo o pintor Wanderlei Ciuffi, amigo pessoal de Assis do Embu, a perda do artista é irreparável. "No Embu tudo o que aconteceu em termos de cultura teve início no Barracão do Assis, ele foi o responsável por grande parte do movimento cultural do Embu e do Brasil", afirma.

De acordo com César Domiciano, Diretor de Cultura da cidade de Embu das Artes, Assis do Embu foi um dos criadores do movimento cultural e um dos maiores artistas da cidade. "O Assis, junto com o Cássio, o Sakai e Solano Trindade fizeram a história artística de Embu das Artes. Tudo acontecia no Barracão do Assis, foi ali onde as coisas começaram a acontecer", disse. Domiciano afirmou ainda que "o que Embu deve ao Assis, é uma coisa que nunca vai conseguir ser pago".

Sobre Assis do Embu

Claudionor Assis Dias ficou conhecido como Assis do Embu logo após ter adotado a cidade, em 1959, como local onde iniciaria uma das mais importantes carreiras como escultor do país. O artista chegou a Embu atraído pelos nomes de Cássio M'Boy e Mestre Sakai que já atuavam na região.

Após montar o seu atelier, que ficou conhecido como Barraco do Assis, ele começa a dar aulas de escultura em madeira, pedra e bronze, transformando-o o local em um verdadeiro núcleo de produção de arte. Talvez mais importante do que as obras esculpidas, ali estava sendo criado um movimento cultural sem precedentes.

Em 1961, o Movimento do Embu começa a ganhar força. A convite de Assis, chega na cidade de Embu o poeta, pintor, teatrólogo e folclorista Solano Trindade, que junto com ele trouxe a Companhia Teatro Popular Brasileiro, formada por vinte e três pessoas. A idéia de Assis era popularizar a arte, até então restrita a pequenos grupos.

Nas palavras do próprio Solano, a idéia era 'mostrar, incentivar e desenvolver as artes populares tradicionais do povo brasileiro, a dança, a música, a escultura, a poesia e todas as manifestações folclóricas'. As festas promovidas pelo grupo, com suas danças afro-brasileiras e exposições de arte, começam a chamar a atenção da intelectualidade paulista, que passa a freqüentar a cidade. Em 1964, acontece o 1° Salão de Artes Plásticas do Embu.

Nesta época, os cerca de quarenta artistas que freqüentavam o Barraco do Assis começam a expor seus trabalhos no chão das ruas centrais da cidade. Artesãos hippies que costumavam expor na Praça da República em São Paulo viriam reforçar a incipiente feira de Embu nos finais de semana, convidados pelos artistas locais. A partir de 1969, a Feira de Arte e Artesanato começa a ser realizada todos os fins de semana, atraindo um grande número de visitantes.

Hoje a feirinha do Embu, como é conhecida, é um dos maiores atrativos turísticos do Estado de São Paulo, responsável por milhares de visitantes todos os finais de semana.

No ano passado, em comemoração aos 50 anos de trabalho do escultor, a Prefeitura de Embu das Artes desenvolveu o Projeto Rememorando - uma homenagem ao principal percursor do movimento artístico da cidade. Assis fundou a Feira de Artes, em 31 de janeiro de 1969. Desde a sua inauguração, vários hippies, músicos e artistas de diversas partes do Brasil passaram a freqüentar o local para expor suas obras.

"Falar desse conceituado artesão é retomar a história de Embu e agregar conhecimento histórico e cultural à comunidade", escreveu a prefeitura em seu site. "Com a morte de Claudionor Assis Dias, seu nome de batismo, Embu das Artes perdeu a memória viva de sua história", finalizou o texto publicado na página na Internet.

Contribuiram com essa matéria o site Cidades Históricas, a Prefeitura do Embu, o jornalista Márcio Amêndola e o artista Joílson Guespires

 



Todos os direitos reservados ©
copyright Portal O Taboanense - 2002/2006